Enképhalos
BLOG DE NEURÔNIOS NARCISÍSTICOS
sábado, 23 de maio de 2009
Exame Neurológico Online
http://library.med.utah.edu/neurologicexam/html/home_exam.html
A divisão do exame é feita em seis partes: (1) Estado Mental, (2) Nervos Cranianos, (3) Coordenação, (4) Sensibilidade, (5) Motricidade, (6) Marcha.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Edema Cerebral


terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Princípios Organizadores do SNC - (1)

Na verdade, o funcionamento cerebral depende muito mais do padrão específico de conexões entre as células do que das propriedades individuais da célula.
O sistema nervoso central tem sete subdivisões principais.
1) Medula Espinhal
-> porção mais caudal do SNC
-> em muitos aspectos, a mais simples
-> da base do crânio à primeira vértebra lombar
-> recebe informação sensorial da pele, juntas, e músculos do tronco e membros
-> contém os motoneurônios responsáveis por movimentos tanto voluntários quanto reflexos
-> a substância cinzenta aparece em forma de H em secções transversais
-> corno dorsal/ corno ventral
-> 31 pares de nervos espinhais (cada um tendo uma raiz dorsal que entra na medula (informação sensorial) e uma raiz ventral que sai (comandos motores).
-> motoneurônios da medula espinhal: "the final common pathway", como disse Sherrington: todo movimento precisa culminar neles, sejam voluntários, sejam reflexos.
Extraído e adaptado de KANDEL, E. et al. "Principles of Neural Science". 4ª edição
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Caso Clínico - 1 - Ataxia Espinocerebelar
O caso da menina Aya nos ajuda a compreender o funcionamento do cerebelo. A sua doença é genética, tendo, na verdade, muitos tipos, afetando diferentes regiões do cerebelo. De qualquer modo, é uma doença progressiva, como o vídeo mostra claramente.
O cerebelo ocupa apenas 10% do volume total do encéfalo, mas mais da metade dos seus neurônios. Sua importância é clara a partir dessa doença (e de outras). O cerebelo, contudo, tem apenas 5 tipos de neurônios, organizados de modo relativamente simples se comparado com o córtex cerebral.
O cerebelo, como vemos, faz parte do sistema motor. Ele tem algumas características marcantes.
1 - É um órgão de extenso input. Ele recebe 40 x mais informação do que envia!
2 - Ele é importantíssimo para avaliar disparidades entre o programa motor que o cérebro elaborou e o real movimento que está sendo executado. Após fazer essa comparação, ele envia um sinal corretivo para o córtex cerebral e tronco encefálico motores. Fica óbvio, portanto, que o cerebelo tem função COORDENADORA sobre o movimento. É especialmente digno de nota que essas correções ocorrem DURANTE o movimento todo.
3 - O cerebelo também tem a capacidade de modificar a transmissão sináptica em algumas de suas células, sendo, portanto, um órgão muito importante para o APRENDIZADO MOTOR - incluindo tudo, como dirigir, tocar um instrumento, etc.
4 - O cerebelo se divide em três regiões principais, cada uma com diferentes funções. O seu nome deriva da estrutura responsável pelo principal input para a área. Há o VESTIBULOCEREBELO, no lobo floculonodular, que recebe informação dos órgãos vestibulares (de EQUILÍBRIO) e projeta para os núcleos vestibulares do tronco encefálico para ajustar o equilíbrio corporal. Há o ESPINOCEREBELO, que recebe vasta informação visual, auditiva, vestibular e somatossensorial do corpo. Essa informação é um feedback, ou retroalimentação, que permite as CORREÇÕES do movimento e de postura. E, por fim, o CEREBROCEREBELO, que recebe input exclusivo do córtex cerebral, e está envolvido no PLANEJAMENTO do movimento antes de sua execução.
No caso da Aya, nós vemos sintomas marcantes de uma perda dessas funções.
1 - Incoordenação dos movimentos (ataxia) (veja que o caminhar de Aya é bastante comprometido, assemelhando-se ao andar de uma pessoa ébria. Na verdade, o alcoolismo crônico danifica o cerebelo.
2 - Perda do equilíbrio
3 - Dificuldade em calcular a distância para alcançar objetos (dismetria)
4 - Dificuldade na fala
5 - Engasgos
Outros sintomas que o vídeo não explicitou podem incluir:
1 - Decomposição (os movimentos complexos passam a ser executados em etapas mais grosseiras, como os de um robô)
2 - Disdiadococinesia (dificuldade em alternar movimentos diferentes de modo rápido) (um modo de testar é pedir para o paciente bater alternadamente o dorso da mão e a palma na mesa)
3 - Rechaço (dificuldade em controlar voluntariamente os músculos extensores)
4 - Tremor (tremor de movimento, diferente do tremor em quem tem Parkinson, que só está presente no repouso)
5 - Nistagmo (oscilações involuntárias repetidas dos olhos)
sábado, 24 de janeiro de 2009
Paralisia do Sono

Mas o que acontece com pessoas com a paralisia do sono é o contrário; elas acabam não suprimindo essas células no momento em que elas deveriam cessar. Assim, você acorda, mas continua em atonia. Há uma sensação de leve desespero em algumas pessoas quando lhes ocorre pela primeira vez.
Esse desespero é particularmente importante quando ocorrem alucinações juntamente com essa paralisia, o que é bastante comum. Pesquisadores da Universidade de West of England acreditam que a paralisia do sono com alucinações está por trás de fenômenos como experiências de abdução alienígena e visão de fantasmas.
Em várias tradições, tanto na África, como na cultura Mong na China, Laos, Vietnã, Tailândia, o fenômeno é associado com a presença de um demônio sobre as costas ou sobre o peito da pessoa. Na cultura da Turquia, é uma criatura que aperta o peito da pessoa, fazendo-a se sentir sem ar.
A obra acima, de Henry Fuseli, "O Pesadelo" (1781), parece, portanto, ser uma referência antiga à paralisia do sono.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Ilusão de Capgras

quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Ao longo da História

Os egípcios desprezavam completamento o cérebro. O coração era visto como sede da alma, e, enquanto as vísceras dos mortos eram cuidadosamente armazenadas em recipientes, o cérebro era retirado pelas narinas com um ferro, e descartado.
Apesar disso, a referência mais antiga ao cérebro é um documento egípcio, o papiro de Edwin-Smith, onde se encontra o hieroglifo para cérebro que serve de ilustração para esta postagem.
Os gregos, por sua vez, tiveram uma jornada distinta. No século V a. C., Alcméon de Cróton, quando dissecava o olho, observou o nervo óptico e o quiasma se dirigindo ao encéfalo, e concluiu que era o cérebro a sede da mente, onde as sensações são veiculadas e os pensamentos são gerados.
Entretanto, depois dele, o filósofo Aristóteles rejeitou a teoria de Alcméon em favor da teoria de que o coração é que sediava a mente. A visão de Aristóteles prevaleceu. A visão do coração como a Acrópole do corpo era, obviamente, atraente devido ao coração se alterar violentamente nos nossos momentos de emoção.
Contudo, Hipócrates, o pai da medicina, chamou a atenção para o cérebro, tratando-o como o centro controlador de todo o corpo. Não obstante, a visão aristotélica perdurou por toda a Idade Média.
Segundo Aristóteles, o cérebro era apenas um refrigerador para o sangue, para "esfriar as paixões do coração".
Aristóteles foi sucedido, no mundo romano, por Galeno, que discordou do filósofo, embora o admirasse profundamente, assim como a Hipócrates. Para Galeno, os espíritos vitais produzidos no coração seriam levados ao cérebro pelas artérias carótidas. Nos vasos da base do cérebro (rete mirabilia, ou rede maravilhosa), esses espíritos seriam transformados em espíritos mais elevados (espíritos animais). De lá, seriam transportados para os ventrículos cerebrais, onde ficaram alojados.
Ou seja, o tecido cerebral, para Galeno (e para a cultura medieval, portanto), era apenas um suporte para os espíritos que ocupavam os ventrículos cerebrais. Era assim que, para Galeno, o cérebro era a sede da mente e da alma.
No Renascimento, o conhecimento do cérebro aumentou exponencialmente. Com Vesalius, com a sua obra De humanis corporis fabrica, de 1543, baseado em autópsias de cadáveres humanos, o conhecimento anatômico sofreu uma revolução.
Em 1664, o médico inglês Thomas Willis publicou Cerebri anatome. Nela, ele propôs pela primeira vez que o tecido cerebral dos giros e sulcos seriam os controladores das funçoes mentais. Ele também criou o termo neurologia.
Já René Descartes, em 1662, no seu livro De homine, apresentou a sua teoria de que a alma se situaria na glândula pineal, onde ocorreria a interação entre a alma e o corpo. Os nervos teriam válvulas que, quando abertas, permitiriam a passagem dos espíritos animais para os músculos.
No final do século XIX, técnicas de Camilo Golgi para corar células nervosas permitiu a Santiago Ramón y Cajal a formular a doutrina do neurônio, que estabeleceu o neurônio como a unidade morfológica e funcional do sistema nervoso.



